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Cerejas e Ovos

04/11/2009

Nos créditos iniciais, a fotografia preto e branco casou com o maquinário da cena, era promessa de um filme excelente: um operário, em meio a fumaças, ruídos e cinzas prende a mão e perde alguns dedos.

A cena seguinte segue sendo ponto alto do filme: operários durante o almoço comentam a intencionalidade (ou não) da amputação voluntária pela indenização. Ouve-se os comentários mas não se vê rosto algum: o plano horizontal são as mãos sobre as bandejas e os movimentos usuais de uma refeição, que funcionou muito bem. Mas num segundo momento, esse recurso de descentralizar a tomada causa constrangimento ao mostrar um homem com uma britadeira sacudindo enquanto o casal protagonista conversa no canto da tela, e acaba a áspera beleza por aí.

O  ‘resto’ do filme trata a estória de Reza, operário que foi deixado pela esposa e sentenciado a pagar pelo divórcio a quantia recebida pelo dote; ele então, sem saída e sem recurso algum para conseguir o dinheiro, ao encontrar com o funcionário indenizado, tem uma idéia nada saudável.

Relativamente curto, ”O Homem que comia Cerejas” (Irã/2009)é recheado de longas cenas que acompanham pedaços simplórios da rotina dos recém divorciados: em três delas Reza prepara desanimadamente seu jantar sempre fritando ovos e comendo enlatados, são em demasia monótonas. Mas as cerejas posteriormente aparecem, em cores.

“Mardi ke gilass hayash ra khord” participa da Mostra na categoria “Perspectiva Internacional” e se dependende exclusivamente da minha nota no final da sessão não levava.

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