Two Lovers
20/12/2009
Em “Amantes“(2008), o filho único de um casal de imigrantes volta para casa dos pais após um traumático término de noivado e sucessivas tentativas de suicídio. Donos da lavanderia onde o filho eventualmente trabalha forçam um romance entre Leonard e a filha do novo sócio, a sensível e plácida Sandra, inteiramente disponível e disposta a cuidar das profundas cicatrizes do personagem de Joaquin Phoenix.
Seu relacionamento com Sandra se desenvolve assim como sua ordinária rotina, seguindo o fluxo, enquanto sua inquietude e ansiedade parecem a ponto de transbordar. É um encontro casual com a nova vizinha, Michelle, que dá vazão aos extremos de Leonard.
Tempestuosa e imatura, Michelle é amante de um rico advogado que se divide entre a esposa e as noites em que a leva a ópera e sua relação com o Leonard remete ao enredo do romance “Noites Brancas”. Mas essa previsibilidade da trama é um detalhe, o triunfo de James Gray está na metáfora visual, um Brooklyn, visto do topo do prédio nas cenas mais densas e incômodas, com fria atmosfera da São Peterburgo de Dostoiévski.
A melancolia e a ansiedade emergentes das belíssimas atuações, como a de Isabella Rossellini na pele da mãe de Leonard, completam e coroam o belo e doloroso “Two Lovers“, que recebeu ano passado indicação a Palma de Ouro em Cannes, mérito de um maduro James Gray e seus Joaquins: seu protagonista e o diretor de fotografia Joaquin Baca-Asay.
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