Un Fille Coupée em Deux
21/12/2009
Inspirado no real assassinato de um arquiteto nova-iorquino em 1906, o cineasta Claude Chabrol, assim como os outros personagens de “Un Fille Coupée em Deux”, usa a protagonista Gabrielle para conseguir o que quer, em seu caso, traçar uma crônica acerca da liberdade e dos limites da alta sociedade francesa. É, de fato, esse jogo de poder que delineia a trama.
A ambiciosa garota do tempo que parece saber exatamente o que quer, o renomado escritor Charles, um hedonista que não abre mão da parceria com sua complacente esposa, esta, que aceita as aventuras do marido para tê-lo, Paul, é o herdeiro de uma companhia farmacêutica que sempre consegue o que quer e sua indulgente mãe que se mostra ferrenha em nome da família. Quando essas vidas se cruzam o conflito de interesses é inevitável e trágico, os levando para o abismo do que lhes é inconcebível: a perda (da liberdade, do status, do poder, da companhia ou da própria vida).
As atuações divergem entre a comédia e a densidade, enquanto a protagonista Ludivine Sagnier se sustenta quase apática, seja na permissividade sexual de Charles, em seu frio relacionamento com o moralista Paul ou quando é divida em duas partes num epílogo circense, e particularmente, é essa pretensão sofisticada que faz de “Uma Garota Dividida em Dois”(2007) um filme bom e não excelente.
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