Hanami
30/12/2009
Nomeado ao Urso de Ouro em 2008, Kirschblüten -Hanami é impecável ao retratar com poesia e frescor redentores a odisséia de Rudi no Japão vivenciando os sonhos não realizados de sua recém falecida esposa.
Amante da arte e cultura japonesa, Trudi alimentava o desejo de conhecer o Monte Fuji através de postais, livros e pôsteres que decoravam sutilmente sua rotina no interior da Alemanha, onde escolheu sua vida zelando pelo esposo e filhos. O filme inicia com Trudi sendo aconselhada a viajar, aproveitar o pouco tempo de vida que foi diagnosticado para o marido, este, que sempre prezou pelo cotidiano seguro e segundo ela, não gosta de aventuras. Ainda assim o convence a visitar os filhos que moram em Berlim e que os recebem quase como incômodos visitantes fazendo o casal seguir para uns dias no litoral do Báltico, onde Rudi acorda viúvo.
A temática do “ninho vazio” e o abismo que rompe os pais e filhos adultos a quase desconhecidos estende ainda mais a solidão de Rudi, que só agora percebe os interesses e aspirações reprimidas enquanto repara os pertences da esposa e a leva, através de suas roupas e seus sentimentos, para a viagem que sempre sonhou. Já em Tokio, uma órfã dançarina de Butoh acompanha Rudi e a memória de sua esposa numa redentora jornada.
O feito de Hanami(2008) está na completude, na excelência de todos os quesitos cinematográficos onde é injusto deixar de ressaltar o apaixonante enredo, a madura e sensível direção de Doris Dorrie, de Männer…(1985), a exímia e poética fotografia, a elegíaca trilha de Claus Blantzer e as profundas e generosas atuações que entoam num primoroso uníssono. Um dos filmes mais belos do ano.
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