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12, “o cinema é para poucos”

19/10/2009

Passado o Festival do Rio e repescagem ainda mais proveitosa, é preciso eleger o filme do Festival 2009 antes de pegar a ponte aérea para a Mostra de SP. Mais do que um filme de Festival, dificilmente perde o posto de melhor filme do ano para abonequinha:12“.

Começar dizendo que o filme do ator e cineasta russo Nikita Mikhalkov é um remake de “12 Angry Men“(1957) de Sidney Lumet é, no mínimo, reducionista. A estória é igualmente adaptada do roteiro de Reginald Rose: um jovem réu acusado de assassinar o pai num caso que parece ser de veredicto automático, logo se torna um drama pessoal de cada um dos doze jurados,  seus preconceitos sobre o acusado e uns aos outros; mas 12 (2007) não é outro senão um filme essencialmente russo:

Nikita, que atua como um dos jurados no caso de um adolescente acusado pelo assassinato de seu padrasto, um oficial militar russo que o acolheu durante a guerra da Chechenia, transpõe o cenário da sala do júri, para um anexo: o ginásio de um colégio e a história particular de cada jurado se funde na fragmentada sociedade russa dos tempos atuais.

Atual presidente da Fundaçăo da Cultura Russa e do Festival Internacional de Cinema de Moscou já se dedicava a filmes históricos na então URSS durante das décadas de 70 e 80.  Em 77 “Peça Inacabada de Piano Mêcanico” mostra o choque das Rússias monárquica e revolucionária no seio de uma família de classe média. No documentário “Anna dos 6 aos 18“(1993) filmado ao longo de 12 anos com sua filha, tem o plano de fundo a vida política soviética. Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 95 por “O Sol Enganador” em que transparecem a falência espiritual e o isolamento dos personagens refletidos em críticas sobre a modernidade e sobre os regimes políticos, seus temas constantes.

Pessoalmente, o roteiro e o enviesamento político são coadjuvantes  quando o filme, como arte, envolve pela fotografia, direção e execução esplêndidas, a beleza, a profundidade, o ritmo do filme bem dosado com flashbacks da infância do réu, são entidades universais. Eu me derreteria em adjetivos e elogios. Mas deixo para o Júri de Veneza que concedeu a Nikita um prêmio especial pelo conjunto de sua Obra em 2007, ano que  12concorreu ao Leão de Ouro:

“O Júri tem a satisfação de reconhecer o brilhantismo consistente do corpo de trabalho de Nikita Mikhalkov. Seu novo filme é mais uma vez uma confirmação da sua mestria na exploração e revelação, com grande humanidade e emoção, a complexidade da existência.”

[Alguns preferem os finais, mas o “remake” me encantou desde os créditos iniciais, ali eu já tinha me apaixonado.  E, apesar da realidade e cultura distantes e da legenda eletrônica não ser das melhores seguiram duas horas de cinefilia e deleite. No fim da sessão nem acenderam as luzes e uma dupla já palpitava essa ou aquela cena e “gostou do filme?” enquanto eu nem me mexia ainda comovida, e com os comentários mais pobres na saída da sessão como se fosse um programa de sábado a noite finalizado, sem pretensão, pensei:  “o cinema é para poucos”. ]

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2 Comentários leave one →
  1. Vannessa R. permalink
    20/10/2009 23:59

    hummm.. verdade.. é para poucos !! isso me lembrou dos burburinhos no banheiro !! eheh

  2. 19/10/2009 06:37

    A ansiedade não permite que as pessoas entrem. Por isso que cinema é pra poucos.

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