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“Ibrahim Labyad”

22/10/2009

Ibrahim Labyad”(2009) é uma experiência incômoda e ainda assim as idiossincrasias do Cairo deixa o filme muito belo. Três referências permeiam o filme, segundo longa do diretor egípcio Marwan Hamed: “Cidade de Deus”, “A Paixão de Cristo” e “Duro de Matar”. E funciona.

Como no brasileiro de Meireles, explora os desmembramentos no processo de favelização: a ilegalidade, as hierarquias particulares, a selvageria do ‘judiciário e executivo’ marginais, o protecionismo dessa população aos criminosos. Indigestas sequências de violência explícita deixam a “A Paixão..” pra trás; corpos sendo cortados, surrados, perfurados, queimados, torturados, ossos quebrados, um balé de agressões onde maior que a repulsa é o mérito pela sincronia, maquiagem e edição.  E além das ótimas longas cenas de perseguição, que são bem valorizadas na primeira parte do filme, o protagonista, um Bruce Willis ‘from’ Egito, executor e certamente alvo de tanta brutalidade, resiste sobrehumanamente. E é dito ser baseado em fatos reais (!).

O filme perde um pouco a adrenalina na segunda metade mas retoma apoteóticamente no sangrento final, a trama pode ser comparada a de uma novela, o enlance do protagonista e a canastrice na atuação do vilão por exemplo, mas sigo defendendo o “bom e bizarro” conjunto do parágrafo anterior que o Hamed integra com propriedade.

*  Marwan Hamed foi assitente dos premiados diretores egípios Samir Seif, Daoud Abdelsayed e Khairy Beshara; dirigiu os curtas Cairo (1997), End of the World (1998), Abul el Rish (1999), El Sheikh Sheikha (1999) e Lilly (2001), vencedor do prêmio do público no Festival de Clermont-Ferrand, maior festival internacional de curta metragem do mundo. Também participou do primeiro campus de talentos do Festival de Berlim, em 2003. O primeiro longa do cineasta Marwan Hamed foi considerado o filme mais caro da história do cinema egípcio. Baseado no romance de Alaa Al Aswani, best-seller no Egito, “O Edifício Yacoubian”(2006), venceu de Melhor Filme nos Festivais de Tribeca, Nova York e Montreal e, apresentado na  30ª Mostra de SP, recebeu Prêmio do Júri de melhor ator para Adel Iman. Já apresentava a temática violenta ao tratar de corrupção, sexo e tortura.

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