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Parábola das Gaivotas

12/11/2009

Aos 73 anos, o diretor inglês Ken Loach apresenta um filme delicioso de assistir; transitando entre a depressão, a violência, a lealdade, os laços de parentesco, expectativas e desilusões, complacência e redenção com incrível frescor. As asperezas e as “lembranças mais bonitas” da vida são traduzidas por Loach com ritmo equilibrado sem excesso de recursos cinematográficos para o induzir o espectador e permite os créditos de Looking for Eric“(2009) para o roteiro de Paul Laverty.

A trama é bem elaborada, despretensiosa e sem fatalidade de gênero. Refrescante e original, faz rir, emocionar, envolver-se, apreciar, e refletir; refletir sobre seu próprio cotidiano, escolhas, erros e acertos: é impossível não reponder instantâneamente à retóricas como “Quando foi a última vez que você foi feliz?” e “Você já fez algo que se envergonhasse ?”, assim como outras máximas do personagem Eric Cantona, interpretado graciosamente pelo próprio jogador de futebol.

Cantona aparece como ícone de autoconfiança, sucesso e realização pessoal para o protagonista: um ex-dançarino de rock que abandona sua primeira mulher com um bebê quando jovem e que, anos após ser deixado pela segunda esposa, encontra-se frustrado com seu emprego de carteiro e a permissividade cultivada pelos dois enteados. Eric tem como momentos escapistas da mediocridade e insatisfação, as vibrantes partidas de futebol, a euforia e extase que seu ídolo francês proporcionou em sua brilhante passagem pelo Manchester United. O filme alterna ficção com os belos lances reais executados por Cantona, o que deleita espectadores amantes do futebol e deixa o filme mais dinâmico e fácil de gostar.

A partir daí Cantona é um ‘personal motivador’ com suas máximas, frases de efeito, e toda cartilha que poderia ser enxugada de qualquer e todo livro de autoajuda. Começando pelas mais simples decisões como barbear-se e a cada passo entrar mais fundo nas questões individuais escondidas, guardadas ou bloqueadas e libertando esses fantasmas e recuperar o poder de mudar, ao menos, o universo pessoal. no caso de Eric, a relação reconstruída com a mãe de sua filha, a redenção de seus enteados, os riscos assumidos que se tornam possibilidades e a valorização e lealdade dos amigos próximos. Saímos da sessão entretidos e certamente mais otimistas.

Quem conferir o longa pode aguardar nos créditos finais a verídica “parábola das gaivotas” evocada pelo ex-jogador numa coletiva de imprensa, fato que inspirou sagazmente o roteirista indiano.

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