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“An Education”

19/02/2010

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An Education”(2009) é um filme difícil de se comprar. Ao contrário do que tenta vender, um romance de uma jovem ingênua seduzida por “um grande Gatsby”, o ensaio autobiográfico é sinônimo de auto-engrandecimento de sua autora, Lynn Barber.

Assim como no romance de Fitzgerald o pós-guerra pontua a Londres suburbana da década de 60, onde Alfred Molina é mostrado inicialmente como pai disciplinador e implacável quanto ao objetivo que sua filha consiga uma vaga em Oxford. Jenny está empenhada e parece corresponder as expectativas do pai enquanto no tempo livre sonha em viajar para a Paris.

“Serei francesa e vestirei preto” num momento Acossado(1960) de Godard, Jenny adora lançar sentenças no idioma francês, escutar Juliette Greco e discutir existencialismo com suas amigas de colégio(ok.). Durante uma tempestade, a adolescente prodígio é abordada um judeu balzaquiano num Bristol vermelho que oferece para proteger seu violoncelo da chuva e Jenny aceita a carona.

Ele convida a estudante para um concerto de verdade e logo depois Jenny já está fugindo do colégio para participar de leilões de obras de arte, das quais se mostra vívida amante e conhecedora e igualmente desenvolta na companhia de David e seu sócio em jantares regados a champagne. Em poucas semanas Jenny já é uma mulher e cúmplice da lábia de David que seduz seus pais a deixá-la viajar num fim de semana e posteriormente para Paris. Claro que há algo de oculto em David e a previsão de um desfecho infeliz é iminente.

O roteiro de Barber e Nick Hornby (“Um Grande Garoto” e “High Fidelity”) segue glorificando a arrogância da jovem que faz questão de relatar seus mimos para todo colégio e desacata suas professoras dizendo como são graduadas porém ‘mortas’ enquanto ela ouve música boa em lugares fascinantes. Essa exaltação e manipulação para essa espécie distorcida de heroísmo na personagem de Carey Mulligan é irritante, ela sequer está apaixonada pelo excelente e preciso Peter Sarsgaard, que parece ele estar apaixonado e tem ciúmes e não um predador.

Quando ela descobre seus negócios ilícitos de David não se abala pois eles que financiam seu novo mundo cheio de sofisticação, viagens e festas no jockey. O anticlímax é a primeira noite de amor, crua, quando Jenny conclui “Toda aquela poesia e todas aquelas canções sobre algo que não dura nada”.

Jenny não foi cegamente seduzida, assistia David mentir para seus pais e roubar obras de arte e ainda assim abandona o colégio para casar-se com ele, para manter os mimos que desejava e sua prepotência é capaz de culpar os pais pela imprudência de deixá-la sair com um rapaz mais velho caso as coisas não dêem certo. É irritante vê-la associada a alguma espécie de vanguarda ou feminismo quando Jenny é mimada, interesseira e arrogante.

As lentes da dinamarquesa Lone Scherfig abusam do seguro e deixa o filme redondo. A bonequinha de luxo teen acaba de render o BAFTA de melhor atriz para Carey Mulligan, mas o melhor filme britânico, ainda que o desfecho seja o mesmo que em “An Education” foi para o crível e sensível “Fish Tank”( http://wp.me/pCZrc-2o) .

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One Comment leave one →
  1. cinebuteco permalink
    24/02/2010 17:53

    Gostei de sua análise. Para mim, Jenny é manipuladora e mimada, consegue tudo que quer e ainda faz questão de mostrar aos outros do que é capaz… o que demonstra – não para o telespectador mais desavido, mas assim para os mais atentos – o quanto é mimada. De nada tem de revolucionária da década de 60 ou feminista.

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