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A Fita Branca

12/03/2010

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Palma D’or em 2009, “A Fita Branca” apresenta uma série de obscuros eventos que tomam lugar em uma vila rural, e majoritariamente protestante, alemã, às vésperas da primeira guerra mundial; e segundo uma narração inicial, estes acontecimentos podem esclarecer “algumas coisas que ocorreram neste país”.

Um fio de aço fora amarrado entre duas árvores  trespassando o caminho do médico que cavalgava em direção a sua residência, deixando-o gravemente ferido e seus filhos ficaram sob os cuidados da vizinha, com quem o viúvo nutre uma discreta porém sórdida relação. A perversidade cresce nos deliberados incidentes seguintes enquanto o narrador revela o intrincado cotidiano local, enraizado em repreensão sob forma de severas e indefectíveis formalidades, em grande parte, executadas metodicamente pelo pastor; a emblemática fita branca,  é uma das manobra de mortificação empregadas por ele para que seus filhos retomem a inocência, mais um símbolo de culpa e repressão que culmina numa espiral onde estas e outras criança são simultaneamente doestadores e vítimas.

O paralelo com “A Cidade dos Amaldiçoados” (1995) pode surgir a mente, mas diferente de John Carpenter, Michael Haneke segue apontando o mal para a condição humana, assim, dispõe imparcialmente os vestígios e revela gradualmente que o terror forasteiro(vindo de fora) é ilusório. The White Ribbon, A German Children’s Story(2009) está definitivamente mais próximo da máxima de Lars Von Trier na manutenção de uma estrutura comunitária, e na hipocrisia e crueldade de suas implicações, em “Dogville”(2003); Haneke  posiciona sua lente observando friamente o microcosmo desta aldeia com enviesamento amostral de uma Alemanha pré I Guerra.

De maneira crua, cerebral e monocromática, ressonante com a aspereza de seu roteiro, o diretor austríaco entrega a violência de forma ainda mais meditativa, quase filosófica, refletindo os brutais atentados como rebelião ao poder repressor. Quem serão esses filhos constantemente admoestados, abusados e silenciados em alguns anos? Esta é uma conexão para ilustrar um ambiente sufocadoramente reprimido em que os ideais nazistas posteriormente infiltraram-se.

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One Comment leave one →
  1. 19/10/2009 12:44

    Gosto bastante dos filmes do Haneke, mostram bem esse estranhamento que temos frente a realidade! Acredito que ele consegue capturar isso! Quero ver esse novo filme “The white ribbon”.

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