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La Teta Asustada

16/03/2010

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Paralisada pelo medo, Fausta tem inserida uma batata em suas partes íntimas para proteger-se do mesmo destino de sua mãe, ela é acometida por uma condição popularmente chamada “teta assustada” que acredita-se afligir filhas de mães que foram violentadas durante os anos de guerrilha no Peru.

Os elementos de “La Teta Asustada”(2009) são demasiado fortes e parecem absurdos num primeiro momento, porém o meticuloso olhar e estupendo mise-en-scène alinhado etnograficamente pela diretora e roteirista Claudia Llosa, que abre mão de qualquer pressão comercial, envolvem o contexto num fascinante realismo. As impecáveis composições de diversas cenas de casamento controem uma fidedigna, admirável e poética dissertação acerca da idiossincrasia folclórica, antropológica e sócio-cultural daquele microcosmo.

A mútua sensação de deleite e profundo incômodo são sentidas desde a abertura em que a mãe de Fausta entoa uma agradável melodia num antigo idioma dos Andes enquanto a legenda traduz o relato de horror atentado contra ela, um testemunho delineando o cinema como poderosa ferramenta numa impecável medida artístico-documental, que mereceu o prêmio máximo em Berlim 2009.

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