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Tony Montana não é páreo para Um Profeta

18/03/2010

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Um drama prisional elaboradamente delineado numa França contemporânea onde novas leis do governo Sarkozy acerca da repatriação de prisioneiros tem impacto direto no rumo das personagens. O protagonista, Malik El Djebena, órfão francês de origem árabe condenado a seis anos de prisão, o motivo pelo qual entrou é irrelevante, “Un Prophète”(2009) irá revelar os fatores definitivos num processo de auto-descoberta e a jornada que lhe moldou uma (nova) identidade.

Malik, com de dezenove anos, é imediatamente acuado por uma dinâmica interna de subornos e tráfico da qual logo descobre que não há modo de sobreviver indiferente. Em troca de proteção, diga-se fugir da sentença de execução por parte da facção de prisioneiros oriundos de Córsega ( ilha do Mediterrâneo, dialeto italiano porém é administrada pela França), ele precisa executar outro preso do Bloco B, facção dos árabes. Numa cena incômodamente tensa ele treina como esconder uma gilete na lateral da boca. Reyeb posteriormente torna-se uma presença fantasma para seu jovemexecutor.

Sob um tom discreto anedótico, o protagonista é incorporado ao grupo dos corsos e assume tarefas cada vez mais importantes no (sub)mundo do crime, o ancião mafioso administra cada passo de Malik e agiliza seu direito de condicional, somente com a intenção de que ele lhe sirva também em trabalhos fora da cadeia, a esta altura, Malik deixou de ser semianalfabeto freqüentando aulas de francês e economia no presídio e dedicou-se a estudar por si só o italiano.

Outros personagens, um prisioneiro árabe com câncer terminal e um cigano traficante de haxixe, iram possibilitar a expansão da rede de contatos e contratos de Malik, que acaba num golpe magistral coloca inimigos frente a frente para acertarem suas contas enquanto arquiteta uma manobra para permanecer isolado (e ileso), me perdoem os aficionados por Scarface(1983) mas Tony Montana não é páreo para Malik.

As questões político-sociais e raciais são pilares que sustentam a trama, assim como uma análise acerca da (in)eficiência da instituição prisional não são a proposta final, mas fundamentam o desenrolar habilmente encorpado com toques modernistas em pontuados letreiros e um sofisticado surrealismo por parte de pequenas sequências oníricas acertadas pelo diretor parisiense Jacques Audiard [(De Tanto Bater Meu Coração Parou(2005)], que criou uma das fitas mais interessantes (e viciantes) do gênero. Grand Prix em Cannes, Bafta, 9 prêmios no Cèsar Awards, melhor filme e prêmio do Festival de Londres, indicações a Palma D’or, Globo de Ouro e Oscar, “Um Profeta” é um ícone do cinema contemporâneo.



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One Comment leave one →
  1. 18/03/2010 23:08

    Sensacional comparar com SCARFACE! Sou seu fã, guria!
    Bjs!

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