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O milagre das ovelhas e tulipas

29/03/2010


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Tulpan(2008) emerge de um realismo social da singular rotina da vida nômade nas estepes do Cazaquistão, mas, a maneira como este lirismo etnográfico compõe a estória do romântico e lúdico Asa, faz desta produção uma experiência cinematográfica ímpar mais que agradável.

Na cena de abertura, um jovem vestido com uniforme de marinheiro discorre entusiasmadamente sobre os hábitos predatórios de um polvo gigante, para uma platéia nada comovida. Ele está tentando impressionar os pais e por trás de uma cortina, a enigmática jovem Tulpan. Ele está acompanhado de um carismático comerciante e o austero cunhado. A exigente Tulipa é sua única opção de futura esposa no raio de um dia de viagem de carro, e Asa, da forma mais pura e inocente, se apaixona pela garota de quem apenas via as mãos.

Depois de cumprir serviço naval, nosso singelo protagonista está morando com a dedicada irmã e seus três filhos pequenos, que ganham espaço merecidíssimo no longa, e tenta desastradamente seguir os passos de seu marido, um pastor de ovelhas. A rotina árida e a paisagem desolada, diferente de seu amigo que está sempre tentando convencer Asa a procurar emprego na cidade,  é cenário para seu oásis, com um grande rebanho, uma esposa e uma yurt (espécie de tenta reforçada) bem decorada sob o céu estrelado da estepe cazaquistanesa.

Asa é um rapaz doce, demonstra-se um romântico irrecuperável sempre pensando em Tulpan durante os intervalos em que tenta ajudar o cunhado com o problema que tem assolado a família, as crias natimortas do rebanho, resultada em uma cena bela e visceral em Asa assiste uma ovelha durante um difícil parto, de forma documental como na produção alemã de 2003 rodada na Mongólia Camelos Também Choram, mas a presença e a pureza de Asa constróem na tela um pequeno e cativante milagre, são esses milagres cotidianos captados tão carinhosamente pelas lentes de Sergei Dvortsevoy que pode ser estendido para traduzir essa modesta e ao mesmo tempo grandiosa fita. Levou Un Certain Regard em Cannes 2008.

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