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Amelia é que era mulher de verdade!

30/03/2010

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Recheado de esmero, “Amelia”(2009) é uma biografia tediosamente morna. A história da aviadora do Kansas que foi a primeira mulher a cruzar o Pacífico e desapareceu durante a empreitada ao redor do mundo, parece ter sido reduzida a uma pequena ficção ordinariamente motivadora com frases de efeito como “quero ser livre” e que o céu é “um lugar bonito, simples, seguro, onde tudo é compreensível”.

A escalação de Hilary Swank foi um acerto, com sua aparência andrógina, os dentes grandes e o mesmo cabelo picotado compõem a figura legendária dos anos 30, mas apesar de sua personificação de Amelia Earheart, o roteiro falhado e sem ritmo apresenta uma protagonista muito esperta e assertiva, inicialmente insegura com seu corpo, a razão de usar calças masculinas, e intimidada pela figura do impassível editor George Putnam(Richard Gere), que posteriormente assume a figura de marido dedicado, complacente e, ao mesmo tempo, um eficiente relações-públicas, a transformando em queridinha da América e ícone de publicidade, emprestando seu nome para linhas de malas, por exemplo.

A própria Amelia também não é consistente, uma vez ousada e perseverante, uma feminista fervorosa, acaba esbanjando arrogância, “sou uma aventureira brilhante”, e teimosia e até imprudente no que diz respeito as condições de segurança em seus vôos.

Uma potencial subtrama, de outra talentosa jovem aviadora ( a “Alice”, Mia Wasikowska) que ameaça o status de Earherat é abruptamente retira de cena para dar lugar a implicações de um caso extraconjugal com o empresário da aviação Gene Vidal (Ewan McGregor), se a motivação era física, a química não funcionou, McGregor está plástico e inexpressivo como um figurante.

As falas beiram o formalismo e os diálogos transbordam em placidez, até mesmo quando seu marido e amante estão sob o mesmo teto, não há tensão. A diretora indiana Mira Nair (do mais recente Nova York, Eu te Amo) entrega um filme sem emoção, composto por repetidas imagens de sua perspectiva aérea como as as savanas africanas, por exemplo, e permeadas por acontecimentos de sua vida pessoal de forma tão morna como citações biográficas pontuadas.

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