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Alice in Disneyland

25/05/2010

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É inegável o talento de Tim Burton para traduzir e construir mundos particulares (e peculiares) e ao assumir o comando da nova adaptação dos contos de Lewis Carroll, foi possível nos antecipar para um espetáculo visual recheado fantasia. Entregue. Os cenários surrealistas (de Carroll) e sombrios(de Burton) ainda receberam uma terceira dimensão que nos submerge juntamente com Alice no mundo mágico em “Alice in Wonderland“(2010).

O segundo talento de Burton, em delinear personagens marginais, que fogem a conveniências pré-estabelecidas, não apareceu no roteiro de Linda Woolverton (“A Bela e a Fera”(1991) , “O Rei Leão”(1994) e “Mulan”(1998)). Um tanto quanto confuso e superficial, a demanda dos padrões Disney, em oposição a aleatoriedade da viagem episodial de Alice contra o tédio.

Entre outros artifícios, Woolverton amadureceu Alice e entregou um tedioso prólogo para apresentar um dilema existencial para a protagonista. A nova Alice é agora uma adolescente libertária e feminista que confronta o uso do espartilho e questiona a decisão da mãe viúva em lhe arranjar casamento com um almofadinha, um tanto quanto repulsivo, conveniente para a família. É durante a cerimônia de noivado que Alice segue o emblemático coelho branco e retorna ao mundo onírico de seus sonhos de infância.

 Em meio a fraca combinação, e muitos beiram apenas a citação, de exóticos personagens dos distintos  Alice’s Adventures in Wonderland (publicado em 1865) e Through the Looking Glass(1871), a narrativa Disney impera e Alice ganha status de heroína com a missão de salvar o submundo do reinado da Rainha Vermelha de um monstro que facilmente poderia estar em Nárnia ou Hogwarts numa apoteótica batalha final da insossa Alice contra a fera, batalha que resume o longa: visualmente exuberante porém massacrado pela condução bestial- imperialista da estória e sua personagens alegóricas.

Nessa linha melindrosa entre o alegórico e o ridículo, segue a explicitamente forçosa Princesa Branca, mas, pelo conjunto da obra, a culpa não cai sobre Anne Hathaway pelos excessivos maneirismos, sua irmã má(!) é a Rainha Vermelha, que nos livros não é a que sentenciava compulsivamente as cabeças alheias, a de Copas. Apesar da falha é a única que invoca alguma curiosidade e simpatia do espectador, apesar de ser a vilã. E ainda os excelentes Crispin Glover, Stephen Fry e Alan Rickman como Valete de Copas, Gato Cheshire e a centopéia respectivamente, são igualmente minados pelas prioridades da superprodução:

Como o novo Chapeleiro, que passa por uma fonte da juventude para ganhar status de coprotagonista, numa versão completamente inacertada da doçura traumada de Edward (“…Mãos de Tesoura”) transvestida com uma peruca laranja latente, esbugalhados olhos verdes claros e dentes separados num resultado que facilmente se assemelha com uma Madonna a la Tim Burton. Além disso, Johnny Deep sujeita-se a um embaraçoso momento numa dança (break!) comemorativa que certamente deve agradar (somente) o público infanto-juvenil dos longas da Disney, e que ainda é repetido no epílogo por Alice quando retorna para a festa de noivado.

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2 Comentários leave one →
  1. Talita Alencar permalink
    28/05/2010 15:50

    concordo plenamente com a dancinha ser o momento vergonha alheia para John Deep. filme de criança. mto bem colocado no título: Disneyland! só se for mesmo

  2. Monique Maltaroli permalink
    25/05/2010 17:17

    Concordo em gênero, número e grau!

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