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Sobre Lord Voldemort, Le Chiffre e O Incrível Hulk

26/05/2010

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O que esperar de mais um blockbuster protagonizado por Sam Worthington e sua irrefutável ausência de humor ou carisma sem ainda poder contar com a qualidade imersiva dos recursos visuais tecnológicos que salvaram Avatar(2009)?

O arrebatador marketing do 3D,  integrado a fita após as filmagens encerradas em 2D, é um artifício a mais na lista de promessas não entregues por “Fúria de Titãs”(2010). Não há Titãns. Pelos menos, não os originais do monte Olimpo, aliás a assustadora criatura maligna prometida durante todo filme é emprestada da mitologia nórdica. Tampouco há Fúria. Num longa calcado e anunciado nos efeitos especiais, o uso dos óculos, a necessidade em pagar a diferença para recebê-los no início da sessão, se une ao um roteiro descalcificado na leviandade.

Como marionetes dos deuses de Hollywood, Sam Avatar é o bastardo semideus Perseu, curiosamente o único não transfigurado pelos maquiadores para o período helênico com cabelos e barba desgrenhados como Liam Neeson: um Zeus que, na condição de emburrado com a nova pretensão autônoma dos humanos, convoca para assustar os mortais seu irmão das trevas: Ralph Fiennes, como Lord Voldemort, quer dizer, Hades. Na verdade não só atores como também as criaturas e paisagens são como entidades emprestadas de “Harry Potter” e “O Escorpião Rei”.

Destaque para o crível guerreiro Draco, personificado com o charme e as, então reveladas, pernas finas do dinamarquês Mads Mikkelsen, o sisudo Le Chiffre de Casino Royale(2006), com a missão de incentivar Perseu a despeito de seu discurso teimoso. Os outros personagens apenas compõem uma dessaborida confusão polimitológica orquestrada por Louis Letterier, aquele mesmo que cinco anos após uma enxurrada de críticas negativas para o Hulk(2003) de Ang Lee, conseguiu executar um fiasco ainda pior com o re-remake de 2008, igualmente recheado de atores de linha justificando resultados vergonhosos com cachês astronômicos. Em “…Titãs“, Letterier consegue arrancar apenas bocejos durante a apoteótica evocação de Zeus para o releaseamento do Kraken: momento “ah, já tá acabando o filme”.

Vibração e curiosidade são propriedades exclusivas do trailler, apesar de não fugir a condição de compilação das cenas aproveitáveis de “Clash of Titans”, há um frenesi fugaz. A sincronia das batidas na trilha majestosa com as garras de um gigante escorpião aguilhoando contra o solo é particularmente emocionante.

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  1. Talita Alencar permalink
    28/05/2010 15:48

    achei a crítica especialmente bem humorada, inteligente e pertinente!Pode contar com meu retorno diário por aqui.
    adorei o blog!

    Talita.

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