Pular para o conteúdo

Deliciosamente incorreto

31/05/2010

.

O prolífico roteirista de Stealing Rembrandt(2003), The Duchess(2008), Brødre(2004),  Brothers(2009), do vencedor na categoria melhor curta metragem este ano The New Tenants, e supervisor do Anticristo de seu conterrâneo Lars Von Trier, Anders Thomas Jensen assumiu as câmeras no ano de 2000 e embarcou em uma saga recheada de humor mordaz, diálogos ágeis e tão surreais quanto pertinentes e situações inóspitas com personagens amorais sitiados na zona rural de sua Dinamarca.

 Em Blinkende Iygter/Flickering Lights, um grupo de gângster foge com a grana de um mafioso e acaba no interior do país onde, com o passar das semanas, e vacas metralhadas no processo, o desejo de permanecer no local entra em conflito com o passado criminoso do bando. Três anos mais tarde, em De grønne slagtere/The Green Butchers, dois funcionários revoltam-se contra o patrão e tentam abrir seu próprio açougue, acidentes infortunosos coincidem com uma grande encomenda de carne e o negócio prospera.

Mads mikkelsen encerra sua participação na trilogia com Adams æbler/ Adam’s Apples“(2005), onde  interpreta um injustificável vigário, que personifica a passagem bíblica “dar a outra face”, encarregado de supervisar detentos num programa alternativo de liberdade condicional. O recém-chegado é Adam, um skinhead hostil, confrontado desde o primeiro dia pelo diabo em sua nova missão paroquial: a de confeccionar um bolo com os vistosos frutos da macieira.

Por sua vez, o neonazista confronta o comportamento inabalavelmente otimista do padre violentamente proporcional a revelações graduais dos outros  fiéis que buscam orientação do pároco: um cleptomaníaco com histórico de estrupro, um imigrante que rouba de multinacionais e uma grávida desequilibrada.

Em “Entre o Bem e o Mal”, optando pela gratuidade da violência e abordagem explícita de temas como pedofilia, paralisia cerebral, câncer, suicídio, holocausto e negação, Anders é capaz de orquestrar com um roteiro sagaz e extremamente bem humorado, diálogos tentadores e personagens desajustados e politicamente incorretos uma fita agradabilíssima.

 

Anúncios
One Comment leave one →
  1. 20/11/2009 16:27

    Gostei do trabalho de Mads Mikkelsen desde que vi Cassino Royale. Seu vilão Le Chiffre foi ótimo, na minha opinião.
    Depois passei a procurar mais atuações dele e assisti os dois primeiros filmes da trilogia Pusher, do dinamarquês Nicolas Winding Refn, onde está muito bem.

    Em breve verei Flammen & Citronen, também com ele no elenco. E quero ver Valhalla Rising, Depois do Casamento e este que você comentou. O título em inglês é Adam’s Apple, não é?
    Não sabia nada da história, só tinha visto as boas notas e que era com o Mikkelsen. Agora que li sua resenha, me deu mais vontade ainda de ver.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: