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Abonequinha

.Os filmes e eu.

Uma constante em minha infância eram as noites de sexta-feira quando minha mãe, e então nós, alugávamos alguns VHS,  nosso fim de semana eram maratonas de filmes, onde confesso que ela dormia a maior parte do tempo por estar cansada, mas eu estava lá, vidrada através de três, quatro e então, seis títulos por semana. Assim que me tornei uma devoradora de fitas.

Em algum momento seguinte houve a fase “decorar as canções e as falas de meus filmes favoritos”, de David Bowie em “O Labirinto”, que minha mãe comprou-me o vinil da trilha sonora no Natal, à citações de “Romeu +Julieta”, que naquele tempo preferia a versão fresquinha do Baz Luhrmann apesar dos esforços dela para que eu pendesse para do clássico de 68 de Franco Zeffirelli.

Na adolescência ia muito ao cinema sozinha, digo sozinha mesmo, pois dificilmente tinha companhia que encarasse mais de uma sessão, e digo que já não havia necessidade de algum conhecido sentado ao lado quando na tela eu estava muito bem acompanhada; o que não significa que eu fosse ou seja solitária, ao contrário, sempre fui extrovertida e irreverente, condição que atribuo a um impulso quasiteatral, no fundo uma tentativa de manter a beleza e força das cenas e diálogos que tanto me inspiravam.

O próximo ciclo aconteceu há sete anos quando deixei minha cidade natal e evitava ao máximo o alojamento da faculdade com sessões diárias de cinema, o que acabou me empurrando para as salas menores ou mais antigas a procura de novos títulos a cada semana. Eu estava então descobrindo e mergulhando na cena cinematográfica mundial e me fartava dos cults, dos clássicos, os argentinos, asiáticos e franceses ( ah, os franceses), e meses mais tarde eu mergulhei no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, e não fui a mesma.

Tinha escalado para um grau de contentamento naquelas duas semanas de panorama, os ganhadores da Palma D’Or, de Berlim, a surpresa com os títulos menos cobiçados, o burburinho, a corrida pelos ingressos, a rotina com a programação em baixo do braço para cima e para baixo da Voluntários. Dias tumultuados e devotados à sétima arte, entre romances, figuras histórias, questões políticas, fantasia, não ficção, os diferentes dialetos e culturas.

Há uma atmosfera indescritível, tal como um elixir, sobre a vívida comoção intelectual de um festival de cinema ( onde é desnecessário citar Cannes como a panacéia definitiva) que foi capaz de converter-me à um permanente “estado de ser envolvido e constantemente preocupado com imagens, diálogos, personalidades e personagens do cinema”, ou simplesmente, a cinefilia.

Como comunicadora, não demorou a que o foco nas estrelas dos meus textos científicos fosse ajustado para o cosmo do cinema, e abrisse mão de ter os olhos em oculares de telescópios para integralmente estudar o universo por lentes orquestradas por talentosos e admiráveis cineastas.

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